A REPUBLICA BRASILEIRA
Com o golpe militar de 15 de novembro de 1889, que depôs Dom Pedro II, o Brasil deixa de ser um Império após o baile da despedida. A partir do ato simbólico da Proclamação da República do Brasil pelo Marechal Deodoro da Fonseca, formalizado em 15 de novembro de 1889, um novo tipo de regime é estabelecido e, assim, surgindo um novo período da história brasileira denominado Brasil República que perdura até hoje. Após a formação da república, o Brasil teve vários nomes posteriores, conforme as alterações no governo, incluindo "Estados Unidos do Brasil".
"A Costituição Republicana, orquestrada no contexto da Proclamação da República, sinaliza à compreensão de como o ideário do Positivismo criado na França por Augusto Comte, enquanto corrente de pensamento norteadora, juntamente com a Costituição dos Estados Unidos, influenciaram no texto constitucional brasileiro promulgado em 1891."
"República Federativa do Brasil" é o nome oficial atual do Brasil, uma democracia presidencialista, reestruturada em 1986 com o fim do Regime Militar Ditatorial inserido e formalizado em 1 de abril de 1964 pelo Exército Brasileiro.
A REPUBLICA DA ESPADA
A República da Espada teve seu início quando os militares lideraram o país politicamente entre os anos de 1889 a 1894, sendo considerado o primeiro governo ditatorial do Brasil.
Foi uma ditadura militar governado por dois militares, os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Durante este período transacional, "de linha dura", foram comuns os levantes populares, e a repressão a focos de resistência simpáticos ao Imperador Dom Pedro II.
O Império não mais representava os interesses dos grandes cafeicultores do oeste paulista e, ao abolir a escravidão, deixou de ter o apoio dos velhos fazendeiros escravocratas. Os grupos urbanos dos mais humildes aos mais abastados, também não se consideravam representados pelo império. O café era, de longe, o nosso principal produto de exportação, alem de apresentar-se como o maior empregador e dinamizador da economia interna. Por isso, os interesses dos cafeicultores estavam sempre em primeiro plano, durante o período da “República Velha(período de ditadura disfarçada)”.
Durante toda a República da Espada, a base governamental foram as oligarquias agrárias. O poder dos militares foi minado aos poucos e por fim sucumbiu à força política dos republicanos, os chamados barões do café de São Paulo e do Leite, os pecuaristas de Minas Gerais, e com a instituição de eleições diretas, o cafeicultor paulista Prudente de Morais foi eleito Presidente da República, encerrando a intervenção - fracassada, o período da "República da Espada", dando início à Política do Café com Leite, que norteou o restante da República Velha. Essa política consistia em estimular a industrialização através da emissão de papel-moeda. O resultado foi que, embora surgissem novas indústrias, a inflação cresceu extraordinariamente, havendo também uma crise no mercado de capitais, que findou com a Revolução de 1930 e a intervenção, novamente, agora de Getúlio Vargas.
República Oligárquica
A República Oligárquica inaugurou um novo período político no Brasil, durante a Primeira República, no qual a oligarquia rural cafeeira paulista dominou o poder político.
As oligarquias brasileiras têm origem na colonização brasileira, quando a política era dominada por homens brancos de ascendência europeia.
Apesar de estarem associados atualmente aos estados da regiões Nordeste e Norte, durante a República Velha a política nacional era dominada pelos produtores de café em São Paulo e de leite em Minas Gerais (ver: política do café-com-leite). A crise de 1929, o regime do Estado Novo, e a urbanização e a industrialização do Sudeste colocaram um fim à essa dominância. Em zonas rurais e ainda negligenciadas pelo poder público central, entretanto, ainda existem aqueles que concentram riqueza e poder.
Em abril de 1964, quando as propostas de reforma lançadas pelo presidente João Goulart colocaram sob ameaça os interesses das oligarquias, essas se uniram para derrubá-lo, e se reorganizaram num novo partido político (a Aliança Renovadora Nacional). A ditadura foi vital para que as oligarquias se reproduzissem no poder.
Apesar de estarem perdido gradualmente poder político desde a redemocratização, as oligarquias ainda exercem controle sobre grande parte da mídia. Também detêm parte considerável dos recursos fundiários do país. Nas eleições de 2006, duas grandes oligarquias foram derrubadas; a Sarney no Maranhão e a Magalhães na Bahia.
A REPUBLICA DO CAFÉ-COM-LEITE
A política do café com leite foi uma política de revezamento do poder nacional executada na República Velha entre 1898 e 1930, por presidentes civis fortemente influenciados pelo setor agrário dos estados de São Paulo - mais poderoso economicamente, principalmente devido à produção de café - e Minas Gerais - maior pólo eleitoral do país da época e produtor de leite.
Revezavam-se no poder representantes do Partido Republicano Paulista (PRP), e do Partido Republicano Mineiro (PRM), que controlavam as eleições e gozavam do apoio da elite agrária de outros estados do Brasil.
Instalou-se o poder dos governadores dos estados (Política dos Governadores), que tinham grande autonomia em relação ao governo federal e se articulavam para escolher os presidentes da repúblicas que tinham mandato de 4 anos sem direito a reeleição. Os presidentes e governadores tinham a prerrogativa de destituir (as chamadas "degolas") os deputados e senadores eleitos que não lhes fossem afeitos através das Comissões de Verificação dos Poderes, que existiam nos congressos estaduais (atuais assembléias legislativas estaduais) e no Congresso Nacional. O voto não era secreto, o que tornava o voto a cabresto e a fraude eleitoral práticas comuns. Às articulações de bastidores visando a escolha do candidato a presidente chamou-se política do café com leite.
Este período iniciou-se após a fase republicana denominada República da Espada (1889-1894)- que teve como presidentes Marechal Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano Peixoto e seu final foi determinado pela Revolução de 1930, com a ascensão do Presidente Getúlio Vargas ao poder.
As cicatrizes desta política foram profundas e determinam até hoje o projeto do país através de modificações permanentes que diferenciam desde então ofederalismo no Brasil de como esse sistema funciona no restante dos países do mundo, inclusive nos Estados Unidos, seu maior propagador.
Revoluçao de 30
A Revolução de 1930 foi o movimento armado, liderado pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, que culminou com o golpe de Estado, o Golpe de 1930, que depôs o presidente da república Washington Luís em 24 de outubro de 1930, impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes e pôs fim à República Velha.
Em 1929, lideranças de São Paulo romperam a aliança com os mineiros, conhecida como política do café-com-leite, e indicaram o paulista Júlio Prestes como candidato à presidência da República. Em reação, o Presidente de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada apoiou a candidatura oposicionista do gaúcho Getúlio Vargas.
Em 1 de março de 1930, foram realizadas as eleições para presidente da República que deram a vitória ao candidato governista, que era o presidente do estado de São Paulo, Júlio Prestes. Porém, ele não tomou posse, em virtude do golpe de estado desencadeado a3 de outubro de 1930, e foi exilado.
A crise da República Velha havia se prolongado ao longo da década de 1920. Os expoentes políticos da República Velha vinham perdendo força com a mobilização do trabalhador industrial, com as Revoltas nazifascistas e as dissidências políticas que enfraqueceram as grandes oligarquias. Esses acontecimentos ameaçavam a estabilidade da tradicional aliança rural entre os estados de São Paulo e Minas Gerais - a política do café com leite.
Em 1926, surge a quarta e última dissidência no Partido Republicano Paulista (PRP), e os dissidentes liderados pelo Dr. José Adriano de Marrey Junior fundaram o Partido Democrático (PD), que defendia um programa de educação superior entre outras reformas e a derrubada do PRP do poder. Esta crise política em São Paulo originou-se em uma crise da maçonaria paulista presidida pelo Dr. José Adriano de Marrey Júnior. São Paulo, então, chegou dividido às eleições de 1930.
Entretanto, o maior sinal do desgaste republicano era a superprodução de café, durante a crise de 1929, alimentada pelo governo com constantes “valorizações”.
Assim em 1930, São Paulo estava dividido, e o Rio Grande do Sul que estivera em guerra civil em 1923, agora estava unido, com o presidente do Rio Grande do Sul, Dr. Getúlio Vargas tendo feito o PRR e o Partido Libertador se unirem.
Em Juiz de Fora, o Partido Republicano Mineiro (PRM) passa para a oposição, forma a Aliança Liberal com os segmentos progressistas de outros estados e lança o gaúcho Getúlio Vargas para a presidência, tendo o político paraibano João Pessoa como candidato a vice-presidente. Minas Gerais estava dividida, não conseguindo impor um nome mineiro de consenso para a presidência da república. Parte do PRM apoiou a candidatura Getúlio Vargas mas a "Concentração Conservadora" liderada pelo vice-presidente da república Fernando de Melo Viana e pelo ministro da Justiça Augusto Viana do Castelo apoiam a candidatura oficial do Dr. Júlio Prestes para as eleições presidenciais de 1 de março de 1930.